A Corrupção atrás das grades... do condomínio
- Admin
- 16 de abr. de 2018
- 3 min de leitura
Atualizado: 29 de fev. de 2020
Sem dúvidas a palavra mais falada e ouvida nestes primeiros meses de 2018. Ela está na mídia, está nas redes sociais e em todas as rodas de conversa. E a ação e consequências da corrupção está instalada nas mais variadas instituições e, infelizmente, o ato de corrupção também está presente na vida nos condomínios.

Ser síndico não é apenas a responsabilidade civil e criminal, amplamente debatida, mas sim e principalmente a responsabilidade moral e a ética. Síndico não é uma profissão regulamentada, não existe um código de ética, conduta que prevê sanções e punições. Não existindo regulamentação, caímos na esfera cível e criminal, onde muitas vezes, devido a sensação de impunidade em nosso país, não é o suficiente para coibir os atos de corrupção. Por isto, o síndico deve ter uma enorme responsabilidade moral perante os condôminos, dependemos da ética e da moral de um indivíduo. Afinal, a premissa da corrupção (e do corruptor) é a ausência de interesse ou compromisso com o bem comum, é o pensamento de obter vantagem prejudicando outros. Estes sujeitos são incapazes de realizar algo sem que isto lhe traga uma vantagem pessoal e ainda acreditam que este é um “direito” lhe conferido pelo cargo ou função.
Existem muitos casos onde a corrupção se instalou e vez morada no condomínio. Mas como chega-se a uma situação desta? Como tantos moradores, dividindo despesas, vivendo diariamente naquele local, conversando, visualizando se há ou não benfeitorias e como estas estão sendo feitas? E a administradora, qual seu papel? Ela é responsável?
Uma única resposta: Omissão dos condôminos.
Tente pensar com a cabeça de um corrupto: “tenho em meu poder toda esta receita, necessito contratar produtos e serviços constantemente. Os condôminos são responsáveis por arcar com estas despesas, eles são bastante e posso diluir estes custos e esta propina, ninguém vai perceber”. Aí surgem os contratos superfaturados, contratações indevidas, comissões aqui, um benefício ali, uma nota fiscal indevida agregada ao balancete. “Ninguém vai questionar e ainda batalho pela minha reeleição para continuar agindo.”
Analise o cenário: assembleias vazias, ninguém disposto a assumir a função de síndico, as pessoas entram e saem do prédio e apenas se preocupam se ele está limpo, acham chato receber e-mails e comunicações do condomínio, não acompanham o demonstrativo mensal, não querem se envolver, não querem “se incomodar”, afinal, elas têm tantas coisas para fazer e existe um conselho para fiscalizar. Por outro lado, o conselho dá uma olhada rápida nas pastas, nunca faz uma análise mais detalhada (muitas vezes até por falta de conhecimento – e o síndico corrupto sabe), nunca questiona nada, nunca estão disponíveis para reunião. O cenário perfeito para mal intencionados e não tão raro assim. Acredito que, na realidade, temos mais deste cenário do que de maus intencionados. Ainda bem! Mas quando eles se cruzam... Feito o estrago! e as consequências para os condôminos é a desvalorização do patrimônio e a perda financeira. E, como em nosso país, investimentos para melhoria da nosso bem estar e qualidade de vida, deixaram de ser feitos e nós já pagamos por eles.
Não existem receitas para combater a corrupção, pois ela vem do caráter das pessoas corruptas, mas existem medidas que você pode tomar para coibir que ela fique tão perto:
- Envolva-se com seu condomínio, se mostre interessado na melhoria do espaço em que vive (não só para reclamar);
- Frequente as assembleias;
- Estabeleçam regras claras quanto às despesas, contratações e autonomia do síndico;
- Garantia de transparência - definam a forma que a prestação de contas será disponibilizada para todos (relatórios, aplicativos de comunicação, site da administradora, plantão do síndico, etc);
- Existem empresas especializadas em Auditorias condominiais. Um investimento, que pode ser mensal, que vale a pena como forma de prevenção de tantos problemas, não só a corrupção.
- Caso haja suspeita de desvios, fraudes e corrupção, todo cuidado é pouco, mas você tem o poder e dever de agir, não caia no erro da omissão. Busque de meios legais e, com muita cautela, os esclarecimentos, as provas e uma solução. Caso haja a confirmação dos fatos devemos lembrar:
Corrupção é crime e apropriação indébita também.
Corruptos? queremos todos pagando pelos seus atos, não é?
Ariane Padilha
Psicóloga/Síndica Profissional e Consultora da Fator G Condomínios
Artigo publicado na edição de Abril/2018 - Jornal ClickSíndico
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